18 de junho: 100 anos da Imigração Japonesa no Brasil

Que o Brasil é um país de muitas raças e culturas ninguém duvida. E essa miscigenação multi-racial e cultural é notória pelas tradições, pelos hábitos e costumes vigentes oriundos dos povos e nações que aqui se atracam.

É o que se pode dizer dos japoneses. Seja pelas ruas, em eventos, espaços públicos, aqui e ali, não raro nos deparamos com essas simpáticas figuras de olhinhos puxados, sorriso tímido e linguajar quase que ininteligível – quem os vê conversando parece ter a impressão de que estão brigando. E a presença deles é notória também pela culinária. Quem nunca saboreou um delicioso Raiscaré (apimentado prato do dia-a-dia japonês servido com arroz), um Oyako Domburi (arroz com frango e ovos) ou o famoso Sushi?

Pois bem! Para fazer jus à presença desse discreto, mas simpático e carinhoso povo, você confere um breve relato da imigração japonesa no país. Para mais detalhes, acesse os links referentes no fim da matéria.

A propósito, caso deseja saborear um saboroso prato típico da culinária japonesa, acesse os links abaixo para conferir receitas e dicas:

http://www.cozinhajaponesa.com.br/v04/receitasjaponesas.asp?s=6

http://basilico.uol.com.br/cozinhar/cozinhar_mh_010.shtml

Para saber sobre o que rola em termos de programações em BH e Minas, só acessar o site:

http://www.japaomg.com.br/

Eis então um breve relato da imigração japonesa no país. 

A imigração japonesa no Brasil
Dia 28 de abril de 1908. No Porto de Kobe, uma multidão balança os braços e acena lenços no adeus a um grupo de japoneses que, vivendo em um país afundado economicamente, escolheu um outro “lar” para tentar a sorte. Destino: o desconhecido Brasil. Do adeus aos amigos e familiares à chegada no Porto de Santos, litoral de São Paulo, foram exatos 52 dias de viagem numa embarcação de 6 toneladas de nome Kasato Maru. As duas únicas paradas, nesse trajeto de 21 mil milhas, ocorreram em Cingapura e na África do Sul. O atracamento ocorreu no final do dia 17 de junho, no cais 14.

O desembarque dos primeiros imigrantes japoneses só aconteceu na manhã do dia 18 de junho. No total, chegaram 781 japoneses, oriundos das províncias de Fukushima, Tóquio, Kumamoto, Ehime, Hiroshima, Kochi, Niigata, Yamaguchi e principalmente de Okinawa, Kagoshima e Fukushima. Os imigrantes japoneses chegaram ao Brasil contratados para trabalhar nas lavouras de café no Estado de São Paulo. O acordo para o início da imigração havia sido firmado em 6 de novembro de 1907 entre a Companhia Imperial de Imigração Tokio-Japão e o Governo do Estado de São Paulo. Pelo contrato, os colonos japoneses deveriam ficar no País por um período de cinco anos. Antes, em 1895, os dois países já haviam assinado o Tratado de Amizade, Comércio e Navegação.

O incentivo à emigração foi uma das soluções encontradas pelo governo do arquipélago para diminuir a miséria e o alto índice de desemprego que se registrava no país na época, fruto da reestruturação da Era Meiji . O solo fértil brasileiro apareceu como uma boa opção. Com o fim da escravidão, as grandes fazendas de café necessitavam de novos trabalhadores, a começar pelos europeus. Bem antes do Brasil, japoneses haviam emigrado ao Hawaí e à Ilha de Guam, na China. Mais tarde, outras levas foram para os Estados Unidos, Canadá, México e Peru.  A miséria pela qual passava o Japão pode ser sentida no desespero dos japoneses em integrar esses grupos de emigrantes.

De acordo com Hiroshi Saito, a migração rural–urbana, em especial em direção à cidade de São Paulo e adjacências, ocorrida durante e após a Segunda Guerra, foi uma das tendências da mobilidade do imigrado japonês. A outra se refere ao “movimento dispersivo, que, partindo do interior de São Paulo, irradiou-se para as frentes pioneiras, não só do Estado de São Paulo, mas de Estados vizinhos”. Saito ressalta que tanto uma como outra tiveram como partida o interior de São Paulo. “A migração dos japoneses e de seus descendentes tornou-se cada vez mais ativa depois de 1946”, diz Saito. Em 1939, residiam na cidade de São Paulo 3.467 japoneses e seus descendentes. Vinte anos depois, esse total chegava a 62.327. Nas zonas suburbanas e cercanias, em 1939, a população de origem japonesa era de 7.788 pessoas, subindo em 1958 para 40.907 pessoas.

Paralelamente aos deslocamentos em direção à metrópole e redondezas, registra-se outro movimento – a dispersão nas regiões interioranas. Na região norte-paranaense, Saito destaca: “os japoneses, vencendo o vale do Tibagi e do Ivaí na direção noroeste, atingindo o caudaloso Paraná. A oeste, ultrapassando os centros novos de Maringá e Cruzeiro do Oeste, a vanguarda dos pioneiros japoneses chegava, em 1958, aos sertões do oeste paranaense”. Saito indica que, do extremo do oeste do Estado de São Paulo, na região do Pontal do Paranapanema, começaram a se estabelecer na Zona da Mata do sul de Mato Grosso. Outras levas foram em direção a Aquidauana e Corumbá. Também o norte de Mato Grosso e Goiás receberam japoneses que, partindo de Anápolis e Goiânia, seguiram para o vale do Araguaia, até as cabeceiras do Xingu. Depois, em direção a Brasília. Outro grupo seguiu para o sul de Minas.

Depois da guerra, há uma dispersão dos núcleos que estavam localizados ao longo das estradas de ferro Mogiana, Sorocabana, Noroeste e Paulista. Até fins dos anos 30, moravam num raio que não ultrapassava de 500 a 700 quilômetros do centro da cidade de São Paulo. No entanto, a partir dos anos 40/50, ao mesmo tempo em que aumentou a população de origem japonesa na capital e cercanias, no interior, o raio de distância dobrou, estendendo-se para os Estados vizinhos.

O Kasato Maru
O Kasato Maru, que trouxe a primeira leva de imigrantes japoneses ao Brasil, era chamado de Kazan, que funcionou como navio-hospital e posteriormente embarcação comercial pelos russos. O navio acabou nas mãos dos japoneses após a Guerra Russo-Japonesa. Antes de transportar imigrantes, foi utilizado para levar soldados que tinham combatido na Mandchuria. De embarcação de passageiros, o Kasato Maru transformou-se em navio cargueiro durante longos anos. Em 1942, entrou na lista da esquadra japonesa na Segunda Guerra Mundial. No dia 9 de agosto de 1945, ele foi bombardeado por três aviões. A ação teve início às 11h15 e terminou às 14h30, depois que o Kasato Maru afundou completamente nas águas geladas do Mar de Bering. Antes de trazer a primeira leva de nipônicas às terras brasileiras, ele já havia transportado pioneiros para o Havaí, em 1906, e para o Peru e o México, em 1907.

De onde vieram os 781 imigrantes*
*Okinawa – 324 pessoas
*Kagoshima –  172 pessoas
*Fukushima – 107 pessoas
*Hiroshima – 066 pessoas
*Kumamoto – 049 pessoas
*Ehime – 21 pessoas
*Yamaguchi -20 pessoas
*Miyagi  -10 pessoas
*Niigata  – 9 pessoas
*Tóquio – 3 pessoas
(*A lista do Consulado do Japão difere da citada no quadro. Pelo orgão japonês, entraram no Brasil 77 imigrantes de Fukushima, 42 de Hiroshima, 79 de Kumamoto, 30 de Yamaguchi, além de apontar 14 vindas de Kochi  – Fonte: Museu Histórico da Imigração Japonesa)

FONTE: site japão-brasil   http://www.japaobrasil.com.br/historia_imigracao/321.php


Belo Horizonte inaugura jardim japonês

Saiba mais sobre o Jardim inaugurado para selar o centenário da imigração japonesa no Brasil

Foi inaugurado no dia 16 de junho, um jardim japonês, em Belo Horizonte (MG). O jardim possui uma área de 5mil metros quadrados e o projeto paisagístico ficou por conta de Haruho Ikeda. O local escolhido para a criação do espaço foi no zoológico de BH. Quem visitar o local vai conferir árvores típicas dos jardins japoneses, como pinheiros, cerejeiras e bambus, e ainda um lago com carpas coloridas. Há também um local para realização da tradicional Cerimônia do Chá, e elementos por o portal (torii), lanternas de pedra (toros) e uma ponte de madeira.

Segundo informou o site www.centenario2008.org.br, iniciada em outubro de 2007, a iniciativa da construção do Jardim Japonês de BH, foi do cônsul-geral honorário do Japão em Belo Horizonte, Rinaldo Campos Soares, da Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Fundação Zoo-Botânica de Belo Horizonte (FZB-BH) e da Associação Mineira de Cultura Nipo-Brasileira.

A obra contou ainda com apoio das empresas Camargo, Corrêa, CBMM, Cenibra, Daido Química Brasil Ltda, Integral Engenharia, Mitsubishi, Sankyu S.A, Usifast, Usiminas, Vale, V&M do Brasil, Votorantim e Vallourec & Sumitomo Tubos do Brasil.

A expectativa do Presidente da Fundação Zoo-Botânica de Belo Horizonte, Evandro Xavier, é de que um milhão de pessoas visite anualmente o Jardim.

Visite o Jardim Japonês de BH (MG)
O Jardim foi inaugurado em 16 de junho de 2008 e já está aberto para visitação. Confira os dados sobre o local, horário de funcionamento e preços de ingressos:

Funcionamento: terça a domingo, das 8h30 às 16h.
Ingresso: terça-feira, entrada franca; quarta à sábado, R$1,00 por pessoa. Domingos e feriados, R$2,00 por pessoa.
Local: Fundação Zoo-Botânica de Belo Horizonte, à Av. Otacílio Negrão de Lima, 8.000 – Pampulha. BH (MG).

Bom passeio!

Para mais informações sobre a imigração japonesa, acesse os links abaixo:

http://www.japaobrasil.com.br/historia_imigracao/249.php

http://www.centenario2008.org.br/

http://www.nihonsite.com/muse/cheg/chegada.cfm

http://www.rio.br.emb-japan.go.jp/

Fotos: – Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil
– site http://www.japaomg.com.br/

Fonte: Lagoinha.com

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