Felipe Heiderich e Bianca Toledo fazem relatos sobre a acusação de abuso

Roberto Cabrini conversa com Bianca Toledo. Ele também conversou com Felipe Heiderich, que é acusado de abusar sexualmente do filho da pastora.

Felipe Heiderich e Bianca Toledo fazem relatos sobre a acusação de abuso

Felipe Heiderich e Bianca Toledo – Foto: Reprodução

Guerra no mundo da fé! Uma denúncia grave de abuso sexual contra uma criança. Duas figuras que antes formavam um casal, tido como exemplar, agora em direções opostas, fiéis divididos e a procura angustiante da verdade.

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O Programa Conexão Repórter do SBT exibiu nesta segunda-feira (16), uma entrevista com os pastores Felipe Heiderich e Bianca Toledo sobre a acusação de abuso sexual. A reportagem ouviu os dois lados em uma conversa com o apresentador Roberto Cabrini.

Confira abaixo as entrevistas na íntegra, o que dizem os principais personagens e provas colhidas do caso.

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BIANCA TOLEDO

CABRINI: Como você define esse momento da sua vida?

BIANCA: Defino como um grande desafio.

CABRINI: Você disse que quer estabelecer a verdade, em poucas palavras, que verdade é essa?

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BIANCA: A verdade é que meu filho sofreu abuso sexual e a partir do momento que eu decidi que tinha que denunciar, minha vida virou de cabeça pra baixo como se isso não fosse o certo a fazer, mas é.

CABRINI: Que dia foi exatamente essa revelação?

BIANCA: Foi na primeira semana de junho de 2016. Eu queria documentar, era muito surreal, depois que ele [filho] me contou,  ele começou a desenvolver uma mania de lavar a boca e as mãos o dia inteiro.

CABRINI: Qual é a explicação?

BIANCA: Ele falava que se sentia sujo.

CABRINI? Ele disse para senhora muitas vezes?

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BIANCA: Sim. Quando ele me disse o que o Felipe o obrigava, a reação que tive, sem querer, foi falar assim “filho isso é sujo”. E ele começou a se lavar.

CABRINI: Ele sabe hoje o que é um abuso sexual, com 9 anos?

BIANCA: Sabe, dentro do limite sabe.

CABRINI: Como é ter sido uma fantasia criada por uma criança?

BIANCA: Impossível, é impossível. Com a riqueza de detalhes.

CABRINI: Porque a senhora tem essa confiança?

BIANCA: Porque primeiro que meu filho não mente. Meu filho nunca teve acesso a pornografia. Ele narrou coisas que segundo, inclusive os psiquiatras e psicólogos, nenhuma criança ia conseguir inventar.

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CABRINI: Como que a senhora falou sobre isso [Com o Felipe], sobre a questão do seu filho. Que palavra que você usou?

BIANCA: Eu perguntei “Você tem atração por outros homens?” ele falou “Ás vezes eu olhei”, “Porque você escolheu justamente o meu filho para fazer isso então? Se você sente atração por homens porque você não procurou um adulto?” E aí ele ficou mudo e perguntou assim “Você acha que sou um monstro?” eu falei “Acho, Felipe o meu filho descreve o seu órgão sexual, conhece o seu corpo melhor que eu, eu vou levar ele no médico agora e dependendo do que esse médico disser, a nossa conversa vai ser outra.” E ele não falou nada. Eu levantei, peguei meu filho e fui para o médico. Nesse mesmo dia ele fez uma tentativa de suicídio.

CABRINI: O que a atraiu nele? Eu achava ele muito inteligente. Ele tinha um conhecimento bíblico impressionante e ele falava que tinha uma pureza, uma vontade de agradar a Deus. Ele me disse que vivia uma vida separada das malícias das coisas, ele era puritano e eu achava aquilo lindo.

A pastora Bianca Toledo disse que teve uma conversa com a mãe de Felipe na qual ela havia revelado toda a situação a ela. O programa “Conexão Repórter” entrou em contato com a mãe do pastor. Ela deu a versão dela e rebateu o discurso de Bianca sobre ameaças e disse que só soube que o filho tinha sido internado, dias após ele ter sido enviado a clínica. Perguntada sobre as ameaças que fez a Bianca, em que se caso ela denunciasse seu filho Felipe, ela perderia a guarda do filho. A mãe do pastor negou todas as acusações.

CABRINI: Você acredita numa ação comandada pela senhora?

BIANCA: Jamais, se tivesse inclusive me pedido ajuda, talvez eu tivesse até ajudado para que ele fosse restaurado. Não ia estar casada com ele, mas eu teria oferecido ajuda.

À reportagem, Bianca disse que já desconfiava que Felipe tivesse algum transtorno sexual, uma crise se identidade, devido ao fato dele não estar tendo uma vida sexual com ela, além de perceber que o mesmo estava se tornando muito afeminado durante o casamento.

CABRINI: O pastor afirma que na verdade o depoimento da criança é fruto de um treinamento que a senhora fez com ela. A lavagem cerebral, o preparo.

BIANCA: Eu acredito que a grande maioria dos abusadores que cometem abuso sexual infantil dizem isso. Eu jamais faria isso.

CABRINI: A senhora chegou a tomar providência no sentido de fazer um exame de corpo de delito? Esse exame foi feito?

BIANCA: Quando eles pediram para fazer o corpo de delito, sabendo que o relato da criança envolvia vários atos libidinosos sórdidos, mas que ele não estava machucado e não envolvia penetração, o meu advogado disse que não tinha necessidade de corpo de delito, e o juiz compreendeu que realmente não tinha necessidade, eu achei que isso ia expor meu filho a mais um trauma.

CABRINI: A senhora teme que o pastor Felipe continue tendo a possibilidade de pregar?

BIANCA: Ah não. Eu acho que é uma opção das pessoas ouvirem, mas elas precisam saber da verdade. 

FELIPE HEIDERICH 

CABRINI: Pronto para me contar tudo, abrir o coração sem reservas, posso confiar tudo que você me disser?

FELIPE: Pode e deve.

CABRINI: Nas palavras do menino, o que existe de real: É uma coisa muito séria.

FELIPE: Uma criança que foi induzida a mentira a pedido da mãe. Eu espero que logo ela responda por denunciação caluniosa, porque essa criança é uma vítima dela.

CABRINI: Porque uma mãe iria induzir seu próprio filho a acusar uma pessoa?

FELIPE: Eu não sei se ela tinha outro companheiro, mas o que eu sei é que ela se projetou nacionalmente com uma tragédia.

CABRINI: Pastor Felipe, sinceramente, você abusou sexualmente desta criança?

FELIPE: Não, eu nunca.

Questionado pelo repórter, o pastor Felipe respondeu se recebia ameaças.

FELIPE: Pode ser vindo da outra parte, algumas vezes como já foram declaradas. Mas as pessoas são veladas, elas me abordam na rua e dizem assim “Olha só, eu vim aqui só pra dizer que a gente sabe aonde você tá, a gente tá de olho em você”, ou ameaças de simplesmente seguidores que ainda não conseguiram acreditar que eu fui pintado como um monstro e essas pessoas compram essa briga  porque afinal de contas, do que eu fui acusado é uma coisa abominável.

CABRINI: Qual o peso de ter sido classificado como um pedófilo?

FELIPE: Existe algum peso maior? Existe algum crime pior do que pedofilia?

CABRINI: O que mais lhe atraiu na pastora Bianca?

FELIPE: O rosto dela, eu fiquei encantado, achei uma pintura, ela tem uma voz carismática, doce e sedutora. Isso me encantou.

CABRINI: A pastora Bianca alega que sequer pastor você é.

FELIPE: Mas ela alega que sou pedófilo, ela alega que sou um homossexual, ela alega que sou um satanista, ela alega que sou um agressor. Ela pode alegar qualquer coisa.

CABRINI: Seu casamento com a pastora Bianca foi uma mentira?

FELIPE: Pra mim foi uma grande verdade, porque eu acreditava, eu amava.

CABRINI: Como você ficou sabendo que estava sendo acusado de abusar sexualmente de um menino que foi chamado de filho?

FELIPE: Na terça, dia 14 de junho de 2016. Ela senta comigo no nosso sofá da sala e diz “[Nome o Filho] foi estuprado”. Foi um pesadelo para mim, eu lembro nitidamente eu levantando e colocando a mão na cabeça falando “Como assim, cadê a polícia”, e ela fala “Foi por você”. Eu comecei a ri, eu acho que era uma pegadinha de mau gosto.

CABRINI: Depois disso o que aconteceu?

FELIPE: Depois disso, eu subir para o meu quarto no terceiro andar, entrei em contato com alguns pastores que eram conselheiros dela de Boston e pedi ajuda. Eu vi um vidro de Rivotril e tomei uma dose altíssima e dormi. Só que no dia seguinte eu fui levado para a UPA pelo meus funcionários que estavam envolvidos e eu não sabia, e fiquei no soro.

CABRINI: Pastor Felipe, é verdade Que você tentou se suicidar?

FELIPE: Nunca tentei suicídio.

Em um determinado momento da entrevista, o pastor Felipe disse que no hospital foi induzido pelo seu motorista chamado Márcio a gravar um áudio onde ele relata que tentou suicídio. Felipe alega que estava drogue e não se lembrava de nada do que falou.  A pessoa em que Felipe acusa é o ex-secretário, ele se defendeu da acusação de induzir o pasto a falar algo naquele dia.

“Não houve essa tentativa, eu realmente estava com os pertences dele, o telefone dele era um iPhone, e você não mexe sem a senha, então eu não tinha acesso ao telefone dele.

CABRINI: Você só tentou se suicidar porque te acusaram de abusar sexualmente? (Após Cabrine apresentar um áudio do pastor alegando que iria se suicidar.)

FELIPE: Eu estava drogue, eu não me lembro dessa situação. O que eu posso te dizer é que essa voz parece com a minha, eu tomei remédio, eu estive em um hospital, o meu motorista estava lá, e foi o meu motorista que ajudou a me sequestrar e me manter no hospício.

CABRINI: Pastor Felipe você de fato foi sequestrado?

FELIPE: Fui. Eu fui mantido por cárcere privado numa clínica, eu fui torturado lá dentro durante oito dias amarrado, sofrendo tortura psicológicas e físicas.

CABRINI: Você foi sequestrado por quem?

FELIPE: Meu motorista, o Márcio, aquele que estava comigo no hospital, na ambulância e me levou até a clínica, ele e por ela [Bianca].

O ex-secretário negou que estaria com o pastor. E a pastora Bianca disse que quando soube que Felipe tinha ido ao hospital e levado para uma clínica psiquiatra, ao chegar ao local ele já estaria internado devido a um surto psicótico, e segundo os médicos, relata a Bianca, seria uma necessidade por oferecer riscos às pessoas.

CABRINI: Você lembra o dia que se entregou a justiça?

FELIPE: Foi numa segunda-feira, 4 de julho.

CABRINI: Como foi?

FELIPE: Eu me lembro de cada detalhe do percurso, do carro, do local onde eu estava, até a cadeia. Eu me lembro me falaram que eu não sairia de lá vivo, pois pedófilo não sai vivo de uma cadeia. Eu lembro de entrar para dar meu depoimento, aí depois ter me jogado no chiqueirinho da delegacia e depois ter dormido algemado. Passei a primeira noite lá. Eles algemaram as minhas mãos e meu pés e me jogaram num camburão e disseram uma frase que me acompanha até hoje “Você não vai durar 24 horas”.

CABRINI: Existe uma lei paralela dentro da cadeia para pedófilos, qual é?

FELIPE: Você estuprado até a morte. Os policiais me falaram sobre isso quando apanhei, quando fui jogado dentro da cela eles me disseram isso.

CABRINI: Como você explica o fato de não ter recebido nenhuma violência?

FELIPE: Deus. É só isso. Não há explicação humana, não há!

CABRINI: O que estava em jogo de fato?

FELIPE: Muito dinheiro

CABRINI: De quem

FELIPE: O nosso [Dele e da Bianca].

CABRINI: Onde está escrito “A verdade vos libertarás”?

FELIPE: Em João 8.

CABRINI: E qual é a verdade?

FELIPE: A verdade é que fui vítima de uma trama muito cruel.

CABRINI: O senhor seria capaz de mentir para se inocentar?

FELIPE: Eu não vou dizer que as pessoas não mentem porque todo mundo já mentiu em algum momento da vida, seja para você desmarcar algum compromisso ou qualquer coisa. Eu não sou hipócrita, sou um ser humano normal que erra como qualquer ser humano, eu não sou super crente, mas para me inocentar não!

A reportagem procurou a Secretarias de Estado de Administração Penitenciária para falar sobre as práticas de acusações e práticas de torturas feitas pela polícia, em nota a assessoria informou que não vai se pronunciar sobre o assunto.

A reportagem também procurou a clínica em que Felipe esteve internado. A direção da clínica não quis se manifestar, mas segundo depoimento à justiça da terapeuta da clínica, Angela Hollanda, ela disse que a indicação do tratamento foi por tentativa de suicídio, tendo o paciente diagnosticado com depressão e que somente no primeiro dia de internação Felipe estava agressivo o que é normal e ocorre em todos os pacientes que ingressam lá. Além dela, a psiquiatra Márcia Pena Garrido, conforme relatou à justiça, disse que Felipe não foi contido mecanicamente em nenhum momento.

O programa teve acesso a um laudo assinado pelo psiquiatra Dr. Fábio Damascena Barreto contratado pela defesa de Bianca, nele o médico afirma: “Os relatos do menor está baseado em fatos reais vividos pelo mesmo e não em fantasias e imaginações impostas por terceiros.” O médico reforçou também que “Afirmo que não se trata de mitomania ou apenas relato do imaginário infantil, porque as expressões de repulsa, constrangimento e vergonha não surgem quando a criança fala simplesmente de um caso imaginário”, disse o médico no laudo.

A reportagem também procurou Renato Pimentel, o primeiro marido de Bianca Toledo, ele é pai da criança que segundo a denúncia, foi abusado por Felipe. Renato disse que ele acompanhava Felipe só por redes sociais e via nele uma pessoa que cuidava de seu filho, ele disse também que via seu filho bem tratado e feliz.

A reportagem procurou Alexandre Amparo, ele era o responsável pela agenda de compromissos de Bianca e Felipe. Ele reconheceu que todos que conhecia o casal achavam a história do abuso muito estranha. E segundo ele, a forma em que Bianca expõe o filho, ela cria uma narrativa para vender algo coisa, dando a entender que Bianca irá relatar tudo em um livro futuramente, para uma suposta venda.

Márcio Oliveira, o ex-secretário que trabalhou por quase 2 anos para o casal, afirmou à reportagem que quando Bianca se ausentava da casa, o filho dela sempre pedia para que ele e outros funcionários ficassem na casa, segundo ele, era um pedido de socorro do menino.

Por fim a reportagem leu uma declaração dita pela babá do filho de Bianca, a Renata das Graças Barbosa, que disse que o garoto começou a apresentar algumas alterações de comportamento após o anúncio dos abusos. Segundo ela, o menino começou a relatar o que lhe acontecia, ela lembrou que em 24 de setembro de 2016, chorou compulsivamente. No dia seguinte, a criança revelou a ela que Felipe havia mexido em seu bumbum e lambido o seu pipi além de pedir que ele lambesse o órgão genital do padrasto. A babá continuou em seu relato dizendo que por vários dias, a criança começou a lavar a boca e as mãos, inclusive lavou 42 vezes em uma única tarde alegando que estariam muito sujas.

Em abril e 2019 Felipe foi absolvido pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro após um pedido do Ministério Público por insuficiência de provas. Porém, Bianca Toledo recorreu e o processo foi para a segunda instância. 

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