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Noiva se casa em hospital para pai, em seu último dia de vida, poder acompanhar cerimônia

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Gabriela com o pai, Glauco Palheta, no dia do casamento. Cerimônia aconteceu dentro do Hospital Alemão Oswaldo Cruz — Foto: Arquivo pessoal

Uma estudante de 22 anos, se casou em um hospital de São Paulo para que o pai pudesse acompanhar a cerimônia, o casamento ocorreu no quarto onde ele estava internado. A noiva Gabriela, se casou vestida de branco e com um buquê nas mãos. O fato aconteceu no começo de Abril no Hospital Oswaldo Cruz , no bairro Bela Vista na capital paulista.

“Eu sei que ele estava esperando só isso para descansar”, disse Gabriela.

A cerimônia original estava marcada para o final de maio, mas teve de ser adiantada para que o pai da estudante,  Glauco Palheta, que estava em estágio terminal de câncer, pudesse participar da celebração. Ele morreu na manhã seguinte ao casamento.

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Apenas os noivos, os pais dos noivos, um dos padrinhos e o pastor que foi o responsável pelo casório estiveram no quarto de Glauco. O padrinho foi quem tocou a música para a entrada da noiva no quarto. Todos usavam máscaras para se proteger.

Gabriela entrou no quarto acompanhada pelo pai que estava em um cama sendo empurrado por uma enfermeira.

“Dois dias antes do meu casamento, meu pai teve um pico de lucidez que não acontecia há um tempo. Depois, ele falou que o casamento foi maravilhoso”, disse a estudante.

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No dia seguinte, 6 de abril, o piloto de avião não acordou mais.

“Meu pai sempre disse que existe um propósito para tudo, e poder compartilhar isso [o casamento] é uma alegria para a gente”, disse Gabriela. “Para a gente, é uma alegria poder levar esperança e amor para as pessoas”.

Os noivos Gabriela Palheta e Thalles Tonini no dia do casamento, 5 de abril, dentro do Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo — Foto: Arquivo pessoal

CÂNCER DE PRÓSTATA

Em abril do ano passado, Glauco descobriu um câncer de próstata. Em menos de dois meses, o quadro evolui para uma metástase.

“A gente fez todo o tratamento, quimioterapia, radioterapia, fez tudo, a gente tinha muita esperança”, contou a jovem.

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No início de 2020, o câncer foi também para o fígado e o pâncreas, e o quadro se complicou. Há cerca de um mês, a família de Gabriela foi informada de que não havia mais tratamento possível.

“Há umas três, quatro semanas, começamos a ser acompanhados pela equipe do paliativo, para casos terminais.”, disse ela.

Com o agravamento do quadro clínico, Gabriela decidiu propor ao noivo, o designer gráfico Thalles Tonini, de 26 anos, que o casamento acontecesse no hospital mesmo.

“Conversei com o noivo: ‘Você sabe que o que eu mais quero é ele presente no nosso casamento’”, disse ela.

Após a decisão, os preparativos foram feitos junto com a equipe do hospital. Para além dos cuidados que a cerimônia dentro do hospital exigia, a pandemia de Covid-19 requereu cuidados redobrados como o uso de máscaras pelos convidados.

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*G1

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