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Pastor gay processa cantor evangélico por homofobia. Assista


Nos últimos dias, uma versão da música ‘Adão e Ivo’ do cantor Albertin e do compositor Toinho de Aripibu foi postada no YouTube ilustrada com as fotos do casamento dos pastores Gladstone e Fabio Inacio.

O pastor Marcos Gladstone, fundador da Igreja Cristã Contemporânea, entrou com representação junto ao Ministério Público Estadual e a Ordem dos Advogados do Brasil contra o cantor gospel Emanuel de Albertin e o compositor Toinho de Aripibu, acusando-os de preconceito, discriminação e homofobia religiosa.

Albertin canta a música “Adão e Ivo”, de Aripibu, que, segundo Gladstone, “incita claramente o preconceito e a homofobia“. O clipe, divulgado no YouTube, usa fotos da cerimônia de casamento de Gladstone e do pastor Fabio Inacio, em novembro passado.

A canção ficou conhecida no início do mês, durante um showmício do pré-candidato ao governo do Rio Anthony Garotinho (PR). Na ocasião, para uma plateia de evangélicos, Garotinho se posicionou contra a união homoafetiva. E em seguida, chamou Emanuel de Albertin, que cantou “Adão e Ivo”. A letra da música, que tem ritmo de forró, diz: “a cada dia multiplica a iniquidade / sinceramente isso me deixa pensativo /se Deus tivesse feito homem pra casar com outro/ não seria Adão e Eva / tinha feito Adão e Ivo”.

Nos últimos dias, uma versão da música foi postada no YouTube, ilustrada com as fotos do casamento dos pastores Gladstone e Fabio Inacio. O clipe tem inscrições contra a Lei da Homofobia e críticas à cena “desprezível, horrível e abominável”, referindo-se à foto do beijo trocado pelos pastores O vídeo tem o telefone para contratação de Albertin. “Já estão usando esse vídeo como forma de agressão. A gente recebe o link para o vídeo por e-mail, ouve chacotas. Para mim, música religiosa é para adoração a Deus, não para discriminar”, afirmou Gladstone. “As pessoas têm imagem de que o gay é promíscuo, não valoriza a família. Nosso casamento foi cercado de respeito, para mudar essa visão. Não esperávamos esse ataque”.

O pastor decidiu procurar o Ministério Público, a OAB e ainda a Superintendência de Direitos Individuais e Difusos do governo do Estado por entender que a canção e as imagens “vão repercutir na vida de todos os homossexuais”. Cláudio Nascimento, superintendente de Direitos Individuais e Difusos, encaminhou a representação para a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática, ao MP e também à defensoria pública, já que os pastores tiveram seus direitos de imagem desrespeitados. “Essa música é de tremendo mau gosto. Há uma parcela da sociedade que tem dificuldades de conviver com a pluralidade, mas esse é um exercício que tem de ser feito para que possamos viver em paz”, afirmou.

A reportagem procurou Albertin e Aripibu. Na casa do compositor, em Recife, uma mulher informou que ele está em São Luiz (Maranhão), sem acesso a telefone. Albertin não foi localizado nos dois celulares e no telefone fixo divulgados para contratação de shows.

Veja o vídeo:

Thalles Brandão

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