Gospel
Desabafo sobre o Natal, um estudo reflexivo sobre a data
E, assim, dentro da igreja, a comemoração do Natal foi sendo relegada ao esquecimento e rechaçada por alguns cristãos. E ai daqueles que defenderem o Natal perto dessas pessoas: são logo massacrados com uma infinidade de argumentos. Começou até mesmo a existir uma divisão dentro da igreja. Surgiu o grupo dos que são a favor da comemoração e o grupo dos que são contra o Natal. Desde já peço desculpas pelo que eu vou falar, mas, para mim, grande parte dessas discussões tem origem em uma hipocrisia farisaica. Penso que se alguns desejam comemorar o Natal, glória a Deus; e, se outros não querem, glória a Deus! Se uns desejam cantar hinos de Natal, Aleluia; e se outros não querem cantar, Aleluia!
Se uns desejam colocar árvores enfeitadas em suas casas, para o Senhor estão fazendo isso; e, se outros não querem, para o Senhor estão fazendo isso! Infelizmente, tem muita gente coando o mosquito e engolindo o camelo. Condenam a comemoração do nascimento de Jesus e atacam os seus irmãos por quem Jesus nasceu e morreu. Levantam a bandeira da não-comemoração do Natal e falam mal dos outros que decidiram comemorar. Incham-se pelo conhecimento que julgam ter, consideram-se melhores do que os outros, praticam a maledicência, promovem disputas, guardam ódio no coração, ficam ressentidos e provocam a divisão dentro da igreja. “Acaso Cristo está dividido?” pergunta-nos o apóstolo Paulo. Côa-se o mosquito e engole-se o camelo. Há gente que condena a comemoração do Natal com o argumento de que Cristo não nos ordenou comemorar o seu nascimento. De fato, Cristo não nos ordenou comemorar o nascimento dEle. Mas porque Cristo não nos ordenou comemorar o nascimento dEle, nos é proibido fazer essa comemoração?
Cristo também não nos ordenou comemorar dia dos pais, dia das mães, dia das crianças, festa de aniversário, festa da colheita, festa de consagração disso e daquilo e um montão de outras coisas. Essas outras coisas que fazemos estão erradas porque Cristo não nos ordenou fazê-las? Por outro lado, Jesus nos proibiu de fazê-las? Se Jesus não nos proibiu fazer essas tantas coisas, estaríamos errados em fazê-las? O problema é que muita gente tem coado o mosquito e engolido o camelo. Alguns condenam a árvore de Natal. Usam, fora do contexto, para sustentar o seu argumento, o texto de Jeremias 10.4, que diz: “Os costumes religiosos das nações são inúteis: corta-se uma árvore da floresta, um artesão a modela com seu formão; enfeitam-na com prata e ouro, prendendo tudo com martelo e pregos para que não balance”.
Em primeiro lugar, esse texto não está falando da árvore de Natal, e, sim, dos ídolos que as pessoas esculpiam a partir das madeiras das árvores. Em segundo lugar, eu nunca vi ninguém se ajoelhando diante de uma árvore de Natal, imaginando que essa árvore fosse um deus. Além disso, quanto aos enfeites da árvore, qual é o problema de se enfeitar uma árvore? Não se enfeitam casas? Não se enfeitam carros? Não se enfeitam cidades? Não se enfeitam pessoas? Entretanto, muitos levantam a bandeira contra a comemoração do Natal e se esquecem de tudo o mais. Engole-se o camelo e se côa o mosquito. Mas alguém pode dizer: “Mas Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro”. É verdade que Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro; mas também é verdade que Jesus nasceu! Uma vez que Jesus nasceu, por que não se pode celebrar o Seu nascimento? Só porque a data está errada?
Quem nunca comemorou o próprio aniversário fora de data? Polemizar por causa de uma data, as pessoas acham que é importante; mas falar contra as disputas, as competições, as brigas e as divisões entre os próprios irmãos, por quem Jesus nasceu e morreu, poucos são os que se prontificam. Côa-se o mosquito e se engole o camelo. Sei que há muitas outras coisas que poderiam ser ditas. Mas eu queria apenas aproveitar essa ocasião, desabafar sobre o Natal e lembrar a todos de que se queremos coar o mosquito, que não engulamos o camelo.
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