Gospel
Ministério Público vai investigar eventos religiosos
Liberação de festas com alta concentração de fiéis em vias de SP entra na mira da Promotoria por gerar impacto negativo no trânsito.
Depois de mover ação civil contra a Prefeitura de São Paulo pela liberação do Estádio do Pacaembu durante a comemoração, no ano passado, dos cem anos da Assembleia de Deus, o Ministério Público Estadual abriu investigação para apurar a realização de eventos religiosos em vias públicas. O foco é limitar grandes encontros, que geram interrupções de tráfego, excesso de ruído e congestionamentos.
Neste sábado, 5, a partir das 10 horas, a Igreja Mundial do Poder de Deus promove o Dia do Grande Desafio, que deve reunir milhares de fiéis na Praça Campo de Bagatelle, na zona norte da capital. Os bloqueios no trânsito já começam neste sábado, às 22h, com a interdição total da Avenida Santos Dumont, em ambos os sentidos, entre as Avenidas Brás Leme e General Pedro Leon Schneider, para montagem do palco. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), até a Ciclofaixa de Lazer da zona norte será parcialmente interditada.
Para o promotor de Justiça Mauricio Antonio Ribeiro Lopes, eventos grandiosos não podem virar regra em São Paulo. “Vamos ceder espaço público todos os dias para uma determinada religião? Nesse fim de semana, por exemplo, já teremos a Virada Cultural. É muita coisa.”
Responsável pelo encontro, o líder da Igreja Mundial, Valdemiro Santiago, aguarda até 1 milhão de pessoas neste sábado. Em seu último megaculto, na inauguração de um templo em Guarulhos, na Grande São Paulo, no dia 1.º de janeiro, centenas de ônibus provocaram congestionamento de 8 quilômetros na Via Dutra e prejudicaram quem tentava chegar ao Aeroporto de Cumbica.
Pacaembu
A liberação de espaços municipais para a realização de festas religiosas entrou na mira do Ministério Público em agosto do ano passado, quando o prefeito Gilberto Kassab (PSD) autorizou a Igreja Universal a usar o Pacaembu. Em novembro, foi a vez de a Assembleia de Deus reunir mais de 30 mil pessoas no estádio. Ambas as denominações evangélicas, assim como a Mundial, são aliadas da Prefeitura.
Kassab diz que não houve irregularidades durante o centenário da Assembleia de Deus no estádio. “A legislação permite a utilização do Pacaembu para eventos. O importante é que as regras sejam respeitadas. E foram”, afirmou. Segundo Kassab, a Prefeitura apresentará à Justiça “suas razões” para ter liberado a festa. Já o Ministério Público afirma que houve excesso de ruído, comprovado em quatro laudos.
Nesta sexta-feira, 4, o prefeito defendeu a realização de encontros não esportivos no Pacaembu. “Só falta alguém achar que o Pacaembu não pode ter eventos.”
Nos bastidores, Kassab tem ajudado o pré-candidato à Prefeitura José Serra (PSDB) a se aproximar dos evangélicos. Em abril, uma ala da Assembleia de Deus já declarou seu apoio ao tucano.
Folha Gospel/Estadão
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