Moro anuncia demissão do Ministério da Justiça e deixa o governo Bolsonaro

O ex-juiz federal Sérgio Moro deixa a pasta após um ano e quatro meses no primeiro escalão do governo do presidente Jair Bolsonaro.

Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo

Sérgio Moro, ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Bolsonaro, pediu demissão do cargo. A saída da pasta acontece após o presidente Jair Bolsonaro ter publicado no Diário Oficial da União, na madrugada desta sexta-feira, (24) a exoneração de Maurício Valeixo, diretor geral da Polícia Federal.

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Maurício Valeixo foi anunciado por Sergio Moro como chefe da PF ainda em novembro de 2018, antes mesmo da posse de Jair Bolsonaro como presidente da República.

Ao anunciar a demissão, em pronunciamento na manhã desta sexta-feira, Moro afirmou que disse para Bolsonaro que não se opunha à troca de comando na PF, desde que o presidente lhe apresentasse uma razão para isso. de acordo com Moro, Bolsonaro passou a insistir a troca do comando da PF desde o segundo semestre de 2019.

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“Presidente, eu não tenho nenhum problema em troca do diretor, mas eu preciso de uma causa, [como, por exemplo], um erro grave”, disse Sérgio Moro.

“O grande problema é por que trocar e permitir que seja feita interferência política no âmbito da PF. O presidente me disse que queria colocar uma pessoa dele, que ele pudesse colher informações, relatórios de inteligência. Realmente, não é papel da PF prestar esse tipo de informação”, disse Moro. “Falei para o presidente que seria uma interferência política. Ele disse que seria mesmo”, revelou Moro.

 

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“Não assinei exoneração”, disse Moro

O ex-juiz afirmou ainda que não assinou a exoneração de Valeixo, ao contrário do que aparece no “Diário Oficial”. Na publicação, consta a assinatura do então ministro e a informação de que Valeixo saiu “a pedido”.

“Eu não assinei esse decreto e em nenhum momento o diretor da PF apresentou um pedido oficial de exoneração”, disse. “Esse último ato foi uma sinalização de que o presidente me quer fora do cargo.”

 

“Carta branca”

Moro relembrou também que quando foi convidado pelo presidente para o ministério, o presidente lhe deu “carta-branca” para nomear quem quisesse inclusive para o comando da Polícia Federal.

“Foi me prometido na ocasião carta branca para nomear todos os assessores, inclusive nos órgãos judiciais, como a Polícia Rodoviária Federal e Polícia Federal”, afirmou o agora ex-ministro.

Moro chegou a se emocionar e disse que havia pedido ao Bolsonaro uma única condição para assumir cargo; que sua família ganhasse uma pensão caso algo de grave lhe acontecesse no exercício da função.

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Tem uma única condição que coloquei. Eu não ia revelar, mas agora isso não faz sentido. Eu disse que, como estava saindo da magistratura, contribuí durante 22 anos, pedi que, se algo me acontecesse, que minha família não ficasse desamparada“, disse Moro.

 

“Investigações”

Segundo o agora ex-ministro, Bolsonaro “sinalizou que tinha preocupações em curso no Supremo Tribunal Federal (STF)”, em referência às investigações em curso sobre fake news e os atos antidemocráticos do último fim de semana.

O presidente queria uma pessoa que ele pudesse ligar, que ele pudesse colher informações de inteligência, e realmente não é o papel da Polícia Federal prestar essas informações.” disse Moro. “O presidente também informou que tinha preocupação com inquéritos em curso no Supremo Tribunal Federal e que a troca seria oportuna nesse sentido. Também não é uma razão que justifique, pelo contrário até gera preocupação.”, ressaltou moro.

Em sua fala, Sérgio Moro lamentou sua saída em meio à pandemia do coronavírus, com milhares de mortes no país, e enalteceu sua carreira como juiz federal, que incluiu a Operação Lava Jato de Curitiba. Moro se firmou como o ministro mais popular do governo Bolsonaro, com aprovação superior à do próprio presidente, segundo o Datafolha.

 

 

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