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Conheça detalhes de exames sobre a morte de Isabella

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Foto: Reprodução

Entre os objetos examinados, está rede de proteção através da qual menina foi jogada. Segundo a polícia, resultados colocam Alexandre Nardoni no local e no momento do crime.

Parte dos objetos recolhidos no apartamento de Alexandre Nardoni, no Edifício London, Zona Norte de São Paulo, onde Isabella foi morta, foi para o Núcleo de Física do Instituto de Criminalística (IC).

Isabella Nardoni, de 5 anos, morreu em 29 de março após ser agredida e jogada da janela do 6º andar do prédio. Neste domingo (27), uma equipe de peritos, acompanhada do delegado que cuida do caso, Calixto Calil Filho, da delegada assistente, Renata Pontes, e do promotor Francisco Cembranelli, fez uma reconstituição do crime.

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Rede de proteção

Entre os objetos encaminhados ao Núcleo de Física do IC está a rede de proteção da janela por onde a menina Isabella Nardoni foi jogada. O corte na tela tem 47,5 cm. Aberto, o buraco forma uma espécie de círculo com 38 cm de diâmetro. Nas bordas, foi encontrado sangue da criança morta. A foto demonstra que não houve perda de material, ou seja, juntando-se as pontas, a rede volta a ter aspecto parecido com o que tinha antes do corte.

Para fazer a análise, os peritos trabalharam com uma lente especial, acoplada a uma máquina fotográfica. O aparelho foi conectado a um computador, equipado com programa de captura de imagens.

Por meio desse sistema, os peritos fotografaram as extremidades dos fios da tela, cortados pelo assassino da menina. E compararam com as extremidades de fios que eles mesmos cortaram usando dois instrumentos apreendidos na pia da cozinha do apartamento: uma faca, com lâmina de 21 cm, e uma tesoura de 22 cm.

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Os peritos observaram que as formas das extremidades dos fios cortados pela faca, pela tesoura e pelo objeto usado pelo autor do crime são semelhantes. Esse teste de corte permitiu apenas concluir que o assassino usou a força das mãos e um instrumento cortante para fazer o buraco na rede.

Em outro teste, os peritos chegaram a um resultado melhor, do ponto de vista da investigação. Na faca, não foram encontrados vestígios da rede da janela. Mas, na tesoura, os peritos acharam um fragmento de fio da rede.

Ele estava preso na parte central da tesoura, logo abaixo do mecanismo de articulação. E a conclusão: a tesoura esteve em contato com rede de proteção da janela. Em outras palavras, foi um dos instrumentos usados pelo assassino.

Pegadas

Os peritos fizeram também outros testes que resultaram em laudos considerados fundamentais para investigação. Em nenhum momento, durante a inspeção no apartamento, eles encontraram marcas que fossem de alguém estranho à família. Todos os vestígios da cena do crime pertenciam aos Nardoni.

Só foi achado um tipo de pegada na cama, onde, segundo a polícia, o assassino subiu em direção à janela. A marca deixada no lençol foi comparada com o solado do chinelo que Alexandre Nardoni usava naquele dia. E os exames apontam: a pegada é de Alexandre, pai de Isabella. Em depoimento, Alexandre confirma que que pisou no lençol.

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Mas, segundo ele, foi apenas para alcançar a janela e fechá-la, depois de deixar Isabella no quarto ao lado. As outras duas marcas encontradas nas camas também são do chinelo do pai de Isabella, afirmam os peritos.

Marcas nas roupas

No laboratório, mais um avanço da investigação: os peritos simularam a posição do assassino quando jogou Isabella do sexto andar. Segundo a perícia, o assassino estava com os braços esticados para fora e o corpo pressionava firmemente a tela, a ponto de deixar as marcas da rede impregnadas na camiseta.

As marcas que ficaram na roupa do perito, durante a simulação, são do mesmo tipo encontradas na camiseta do pai de Isabella – o que leva à conclusão de que Alexandre ficou na mesma posição em que estava o assassino.

No interrogatório, Alexandre disse que apenas chegou perto da rede de proteção e logo viu que a filha estava lá embaixo. Ao ser informado que sua camiseta estava impregnada com as marcas da tela, ele respondeu que não sabia esclarecer como elas foram parar lá. Para a polícia, a camiseta é uma das provas mais fortes que colocam o pai de Isabella na cena do crime.

Todos esses laudos, preparados pelo Instituto de Criminalista, vão servir de base para o pedido de prisão preventiva do casal, acusado de homicídio.

Fonte: G1

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