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Errando e Aprendendo

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Foto: Reprodução/Unsplash

Tiago 4:14 – “Porque vós não sabeis o que trará o amanhã. Porquanto, o que é a vossa vida? É apenas um vapor que aparece por um pouco de tempo, e depois desaparece.”

Nestes últimos dias a vida de muitos dos brasileiros sofreu, em algum grau, com as mudanças por causa do COVID–19. Em minha cidade fomos orientados a permanecer em casa durante esses dias de quarentena, e como o tempo rende quando estamos em casa não é mesmo?! Nós temos tempo de realizar estudos bíblicos, revisar muitos pontos em nossas vidas, organizar os armários, aprender alguma tarefa nova e ainda sobra tempo. É incrível não é mesmo?

E em uma dessas sobras de tempo, avistei um livro na prateleira e lembrei-me daquela leitura que realizei há alguns anos, “O diário de Anne Frank” (1947). Não sei se você conhece essa história, por isso, aviso que este texto contém alguns spoilers sobre a obra, mas nada que tire de você a opção de ler e se maravilhar com os relatos da menina.

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O livro trata-se de um texto escrito durante a Segunda Guerra Mundial, a jovem Anne Frank possui um diário amorosamente chamado de Kitty e as palavras escritas ali foram transformadas em um livro, publicadas logo após a Guerra. Nesse diário a menina expõe todos seus medos, os conflitos juvenis e principalmente, como a Guerra mudou completamente a sua vida e de toda a sua família.

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Mas afinal, a que ponto quero chegar? Lembro-me que poucos dias antes de se trancar no sótão com sua família, Anne andava livremente pelas ruas de Amsterdã, porém, ela teve sua liberdade restringida sem aviso prévio. E não, de forma alguma tenho a intenção de comparar fugitivos e perseguidos de guerra a nós, sociedade atormentada por um vírus.

Quero apenas ressaltar que assim como a família Frank, você e eu afirmamos que amanhã faremos isso ou aquilo. Que venderíamos, compraríamos, viajávamos, mas o vírus nos pegou de surpresa, mudou nossos planos sem nos dar nenhum sinal. E nos deixou um questionamento, afinal, quem somos?

É isso que o apóstolo Tiago questiona em sua carta, quem somos nós para afirmarmos que faremos isso aquilo? Não sei bem ao certo o que acontece com a mente do crente nesses tempos de pós-modernidade – talvez seja o costume com as coisas à nossa volta, com as rotinas de planejamento, com o mundo em planilhas – só sei que facilmente passamos a afirmar: “amanhã farei isso”, “semana que vem irei àquele lugar” e nos esquecemos de que não temos liberdade alguma para nos mover sem a permissão de Deus.

Passamos rapidamente do senhorio de Cristo ao planejamento diário de nossas vidas, sem antes consultá-lo e essa mudança brusca faz crescer em mim a pergunta: aquele que vive por seus próprios planos e projetos, pode considerar-se um crente em Cristo?

Nesses tempos de quarentena podemos refletir sobre inúmeros pontos de nossas vidas, visitar Anne e sua família no sótão e então estar de frente com a efemeridade da vida humana. Podemos ainda ouvir uma música daquela nossa banda favorita e nos deparar com a beleza de uma melodia que nos sacode a alma: “Tudo é uma lição, a gente tem que aprender, o Mestre usa a vida, a vida usa tudo. Será que oramos tanto sem nunca compreender que aquilo contra o que lutamos poderia ser um caminho que quer ensinar a viver o futuro?”

Sabemos, como crentes em Cristo, que o nosso único conforto, na vida e na morte, é saber que não pertencemos a nós mesmos, antes, pertencemos de corpo e alma, tanto na vida quanto na morte, ao nosso Senhor Jesus. E isso já é razão suficiente para sair da quarentena com uma nova visão e um novo comportamento diante de nossos dias.

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Então, se o Senhor nos permitir, faremos isso ou aquilo, pois como criaturas de suas mãos e rebanho de seu pastoreio, nos inclinamos aos seus desígnios, quer sejam em atividades cotidianas, quer seja frente a uma pandemia. Seja feita a vontade de Deus, assim na terra como no céu. Amém!

 

Referências utilizadas:

Bíblia Sagrada – Livro de Tiago.

O diário de Anne Frank

Confissão de fé – Catecismos de Heidelberg (1563)

Banda Resgate: Errando e aprendendo

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Por Bárbara Pita, uma pecadora desfrutando da graça salvífica de Deus. Cristã Batista e pedagoga. Belo Horizontina, amante de bons livros e café. Você pode acompanhá-la em seu Instagram: @barbarelap.

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