René Kivitz se diz triste por receber palavras de morte e tenta esclarecer falas sobre atualização da Bíblia

O pastor afirmou que está com o coração partido por sofrer um "linchamento virtual" após falas. Ele negou que tenha dito que o mundo precisa de outros documentos além da Bíblia, além disso, afirmou que homossexualidade não é pecado e sim um comportamento humano

Ed René Kivitz (Foto: IBAB)

O pastor e escritor Ed René Kivitz, da Igreja Batista Água Branca, se pronunciou pela primeira vez após seu nome ser discutido nas redes sociais nos últimos dias. O líder religioso disse em uma pregação no último domingo (25), que a Bíblia era insuficiente, e defendeu uma possível atualização das sagradas escrituras. Logo a pregação viralizou e René foi alvo de críticas, até mesmo de colegas pastores. O teólogo afirmou que está em paz e com a sua consciência limpa, mas que se entristeceu pelo o que chamou de “linchamento virtual” praticado contra ele, principalmente, vindo dos evangélicos.

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René Kivitz atua, desde 1989, como pastor presidente da Igreja Batista de Água Branca, da cidade de São Paulo, e usou o canal do YouTube da instituição para se manifestar sobre a polêmica nesta quinta-feira (29). No vídeo, René se dirige aos fiéis dizendo que “falo de dentro de uma tristeza que poucas vezes eu vivi e experimentei”. Segundo ele, seu coração está ferido de tudo que está acontecendo ao seu redor. O pastor disse ainda que vem recebendo muitas palavras de morte, após sua fala no último domingo (25).

– Essa semana muitas palavras de morte foram lançadas contra mim, dirigidas a mim. E não é novidade isso, há muito tempo que eu tenho convivido com palavras de morte nas redes sociais, inclusive nas minhas mídias e nas minhas redes sociais, mas especialmente isso ganhou uma proporção que eu jamais imaginei possível. Palavras de morte. Eu fui chamado de filho do diabo, anátema, herege e alguém que se entregou a Satanás – Disse o pastor desolado.

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De acordo com ele, um dos motivos da sua tristeza é saber que há “promotores de morte” nas redes sociais e se sente envergonhado desse “segmento da igreja que é tão marcado pelo ódio”.

– Nós praticamos apedrejamentos virtuais. Nós praticamos um apedrejamento na forma de lixamento público, na forma de assassinato de reputações na forma de julgamento cruel e impiedoso das consciências alheias. E hoje eu tenho uma vergonha profunda desse segmento da igreja que é tão marcado pelo ódio, para não dizer do mínimo da educação e do respeito com o que se deve tratar o ser humano. E eu fico pensando que eu que sou um pastor evangélico, numa igreja diga-se de passagem, por mais trinta anos na cidade de São Paulo, se eu, com esta minha representatividade pública, sou tratado, dessa maneira, eu não tenho dúvida que se tivéssemos no tempo da inquisição, eu já teria queimado numa fogueira. Imagine aquelas pessoas que estão do lado de fora da nossa experiência religiosa e aquelas pessoas que são consideradas ímpias, iníquas e verdadeiramente filhas do diabo – Disse ele.

O teólogo afirmou que apesar das críticas que sofreu por suas falas sobre “atualizar a Bíblia”, ele se encontra em paz e com a consciência limpa.

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– Eu tenho para hoje é paz. Eu tenho experimentado nesses dias, paz, serenidade, tranquilidade, que vem da minha consciência limpa diante de Deus – Explicou ele.

Quem me julga é o Senhor

O pastor disse que é a própria Bíblia que te orienta sempre a pregar, referindo a mensagem que ministrou no domingo. Além disso, através dela, segundo René, tem a consciência de que só Deus pode te julgar, diferentemente do que viu nos últimos dias.

– Quem julga é o Senhor. Então a primeira coisa que eu posso testemunhar para você é que eu faço das palavras de Paulo as minhas palavras, a saber, a minha consciência em nada me pesa, mas nem por isso me considero justo porque quem me julga é o Senhor. Eu me coloco nas mãos do Senhor para receber d’Ele o julgamento, é que a mim pouco me importa ser julgado por qualquer tribunal humano, pouco me importa ser julgado por esse tribunal que é construído nas redes sociais – Disse o pastor.

Atualizar a Bíblia para o mundo contemporâneo

O pastor fez questão de esclarecer as falas naquela ocasião que de acordo com ele “entendi bem o que causou embaraço na vida das pessoas, e o que causou essa repercussão toda e essa postura de um cancelamento”.

Sobre ter dito que a Bíblia não era o suficiente, o líder cristão negou que tenha falado que  o mundo precisa de outros documentos além da Bíblia. Também negou que tenha dito que “precisamos escrever uma outra Bíblia e muito menos que nós precisamos de algo além da Bíblia”.

– Eu estou dizendo que nós precisamos ir além da leitura literal, inclusive porque precisamos abordar os temas do mundo contemporâneo a partir da realidade do que o evangelho frutificou no mundo. O evangelho é o fruto. E quando eu digo o evangelho deu fruto, a consciência que o evangelho traz, seu fruto no mundo em que Paulo estava falando, o evangelho ainda não havia frutificado, ele estava sendo apenas testemunhado, mas dois mil anos depois o evangelho não está apenas sendo testemunhado, mas ele já frutificou. Naquela sociedade que era machista, patriarcal, a maneira como Paulo aborda o tema é própria daquela sociedade, mas ele ele insere nessa estrutura patriarcal e machista, ele insere o evangelho e uma vez que o evangelho frutifica aquela estrutura machista e patriarcal, não se justifica mais aquela sociedade de Paulo era uma sociedade escravocrata, mas Paulo insere o evangelho na consciência de Filemon – Disse.

– Quando o evangelho frutifica, não há mais espaço para escravidão, não há mais espaço pra esse machismo e opressor, por quê? Porque o evangelho frutificou. Então, quando você lê apenas as linhas da Bíblia e faz uma leitura literal, você vai ver que aquilo que foi dito não dá conta de causar impacto num mundo onde o evangelho já frutificou – Disse ele.

Segundo o pastor, atualizar a Bíblia significa discernir a revelação que ela traz. Além disso, atualizar a Bíblia, para o teólogo, é ir além da leitura literal, e que “nós fazemos isso o tempo todo, nós atualizamos a Bíblia, o tempo todo”.

– Atualizar a Bíblia significa buscar na Bíblia para tratarmos hoje os assuntos de hoje e os assuntos que a Bíblia não tratou. Por quê? Porque aquela sociedade não tinha esses problemas que a gente tem hoje. Então, quando eu digo atualizar a Bíblia, eu não estou dizendo para reescrever a Bíblia, escrever outra Bíblia, editar a Bíblia. Estou dizendo, buscar o significado atual da Bíblia, sair da leitura literal e buscar referência para aplicar a revelação bíblica para o mundo contemporâneo – Disse ele.

Homossexualidade não é pecado

Em sua pregação no domingo, o pastor havia dito que os homossexuais continuam sendo condenados ao inferno, por causa de dois ou três textos bíblicos que não foram atualizados. Ele explicou no vídeo publicado por ele nesta quinta (29), que a homossexualidade não é pecado, e sim, um comportamento humano e por isso que essa condenação “gera um grande sofrimento” a elas.

– A minha vida toda eu fui criado, acreditando e sendo ensinado que é homossexualidade é pecado, mas esse ensino foi em chave moral, você pode deixar de ser homossexual do mesmo jeito que você deixa de fumar, você pode deixar de ser homossexual do mesmo jeito que você supera um trauma da sua infância, um abuso que você sofreu, se você fizer um trabalho terapêutico, você pode superar um trauma. Então, essas pessoas que estão dentro das nossas comunidades são invisibilidades, a gente finge que elas não existem – Explicou o pastor.

Assista suas explicações completo, no vídeo abaixo:

 

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