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Série sobre o Direito na Bíblia: Público x Privado

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Série sobre o Direito na Bíblia: Público x Privado

Foto: Reprodução

1º Reis 22:43-44 – “Ele andou em todos os caminhos de Asa, seu pai; não se desviou deles e fez o que era reto perante o SENHOR. Todavia, os altos não se tiraram; neles, o povo ainda sacrificava e queimava incenso.

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A história de Josafá nos mostra que ele foi um rei de Israel que pessoalmente fez o que era reto perante o Senhor, porém, uma pequena nota de rodapé, revela uma falha grave de seu governo: “todavia, os altos não se tiraram”.

Percebemos na história deste rei uma clara contradição entre a sua vida pública e a sua vida privada, pois Josafá, sendo líder e governante de Israel, ainda que pessoalmente ele tivesse adorado somente a Deus, ele não teve vontade política de retirar aqueles locais onde o povo sacrificava e queimava incenso a outros deuses no topo dos montes.

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Dentro de um Estado Democrático de Direito, tal como o Brasil, o público e privado constituem as duas dimensões fundamentais da democracia, sendo que a história de Josafá nos leva então a seguinte reflexão: Estamos dispostos a sair da esfera privada para influenciar e transformar nossa sociedade com os princípios e valores do Reino?

Ainda sofremos muito os efeitos da secularização, qual seja o esforço humano iniciado no século XIX de construir uma sociedade sem Deus, sendo isso fruto de uma visão de mundo Deísta, a qual desde o século XVIII já defendia a ideia de que o mundo funcionava mecanicamente sem a intervenção de Deus.

Evidentemente, o deísmo e a secularização se opõem radicalmente a visão de mundo cristã, razão pela qual algumas pessoas, sob a falsa bandeira do ‘Estado Laico’ tentam nos confinar à esfera privada de tal forma que muitos cristãos já passaram a acreditar que realmente não podemos participar da esfera pública influenciando diretamente as decisões que impactam nossa sociedade.

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Acreditam que enquanto cristãos, nós devemos limitar nossa esfera de influência tão somente à vida privada de nossas famílias e igrejas, deixando assim o espaço público para aqueles que não são cristãos, isto é, para aqueles que são ‘do mundo’, como se o exercício da fé cristã se resumisse a ter uma vida pessoal reta diante do Senhor.

Não estou dizendo que viver uma vida de santidade diante de Deus seja algo errado, mas sim que aqueles que buscam viver desta forma, precisam entender que nossa vida privada de retidão diante de Deus necessariamente precisa vir a público para influenciar a sociedade.

Para além das meras ações evangelísticas e assistenciais, nós precisamos na verdade participar diretamente das discussões e decisões da nossa sociedade, sendo que nesse processo democrático saudável, a visão de mundo cristã tem tanto valor quanto qualquer outra.

Todos possuem uma visão de mundo, sendo que não somos cidadãos de segunda classe por acreditarmos que esse é o mundo de Deus e por isso não podemos continuar agindo como Josafá, o qual fez reto perante o Senhor em sua vida privada, mas mostrou-se fraco e covarde em sua vida pública, deixando de exercer sua autoridade como líder, permitindo assim que seu povo permanecesse cativo espiritualmente.

Saiba que sobre nós Jesus orou: “não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal” (João 17:15). Seguir a Jesus não significa aniquilação da nossa vida pública, mas sim ter uma vida totalmente livre do mal.

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Por Mariel Marra, nascido em 1980 em Belo Horizonte/MG, é graduado em Teologia pelo Centro Universitário Izabela Hendrix e Direito pela Pontifícia Universidade Católica de MG. Em 2016 concluiu sua pós-graduação em Direito Público pela Faculdade FUMEC e em 2019 concluiu no Seminário Teológico Carisma. Mariel também atua ativamente na defesa do patrimônio público e no combate à corrupção promovendo ações judiciais de direito coletivo, além disso, celebra casamentos em todo país e também é professor e responsável pelo Carisma Start da Lagoinha Matriz. Você pode acompanhá-lo em seu Instagram: @marielmarra.

 

Mariel Marra é teólogo e advogado, pós-graduado em direito público. É Secretário-Geral da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da OAB/MG e líder da Ação Social da Igreja Batista da Lagoinha.

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