Membros da AD de Governador Valadares pedem socorro, após administradores tomarem templos na cidade

Após a morte do pastor presidente da instituição, no final de julho, uma equipe à frente da igreja tem causado desprezo aos pastores e membros da igreja. Isso porque há relatos de injustiça, fraudes e ganância por parte da nova administração (provisória) frente à organização

Assembleia de Deus Governador Valadares – Foto: Reprodução

Tristeza, preocupação e indignação formam os sentimentos de moradores e fiéis da Igreja Assembleia de Deus da cidade Governador Valadares, na Região do Vale Rio Doce, em Minas Gerais. Após a morte do pastor presidente da instituição, no final de julho, uma equipe à frente da igreja tem causado desprezo aos pastores e membros da igreja. Isso porque há relatos de injustiça, fraudes e ganância por parte da nova administração (provisória) frente à organização. Entrevistamos o Presbítero Samuel Almeida, líder de uma regional da Assembleia de Deus, que diz estar apreensivo com o que vem acontecendo na igreja na cidade.

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Samuel é membro e um dos obreiros na cidade mineira. Ele conta detalhes da briga que se formou na instituição, que segundo ele, piorou após a morte de Salatiel Fidélis de Souza, Presidente da Igreja Assembléia de Deus em Governador Valadares, após contrair a Covid-19. Ele tinha 90 anos e morreu em 29 de julho.

O obreiro conta que a briga deu início em 2016, quando o pastor Salatiel, que tem cargo vitalício em cumprimento ao Estatuto da Igreja, decidiu indicar um sobrinho-neto ao cargo de vice-presidente da Igreja, acusado de fraudes, segundo membros da igreja. Mas, após ter o nome negado pela Assembleia Geral Extraordinária (AGE), responsável por eleger os seis diretores da Assembleia de Deus, o presidente então negou a trabalhar com a nova diretoria eleita naquele ano. Desde então, de acordo com Samuel, o pastor Salatiel moveu processos na justiça contra a nova diretoria. A diretoria da AD de Governador Valadares é formada pelo Presidente (cargo vitalício), 1º e 2º vice presidente, 1º e 2º tesoureiro e 1º e 2º secretário, totalizando sete diretores.

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A Igreja Assembleia de Deus em Governador Valadares é composta por 39 regionais, sendo que cada uma delas é liderado por um pastor principal. Cada regional é composta por outras várias congregações e todas são ligadas à Convenção Geral e Estadual da Assembleia de Deus.

Samuel segue contando que o caso se estendeu até 2019, quando uma nova eleição deveria ser feita para eleger a nova diretoria. Na ocasião, o presidente, pastor Salatiel, deveria convocar uma nova AGE. Entretanto, o mesmo se negou a convocar a Assembleia Geral.

Na contramão da decisão do presidente, o vice-presidente eleito em 2016 convocou uma nova eleição, sem a presença de Salatiel, e conforme o Estatuto. Mas, o presidente moveu um processo na justiça e conseguiu anular a eleição, e resolveu indicar três pessoas para comandar a instituição sendo, inclusive, aceita pela justiça; são eles: João Campos Paul, Zilmar Gonçalves Oliveira e Wanderley Augusto de Oliveira como vice-presidente, tesoureiro e secretário respectivamente.

Posse da nova diretoria temporária, após morte do pastor Salatiel.

De acordo com Samuel, a partir deste momento, os três diretores começaram uma intensa perseguição aos outros seis diretores eleitos em 2016.

– Houve indicação à juíza. E em cima da mesma decisão que ela tinha dado favorável, reconheceu essa indicação. E começou uma perseguição ferrenha contra todos os seis diretores e também os outros 33 pastores das regionais. E essa perseguição é lamentável. Nem as pessoas que não são cristãs jamais teriam coragem de fazer, e eles [nova administração] tentando arrancar de maneira abrupta os pastores das congregações. O próprio pastor Salatiel, que agredia até os membros, às vezes verbalmente e fisicamente. E assim estamos vivendo essa situação que é de tristeza – Disse Samuel.

Samuel ainda conta que com a morte do pastor Salatiel, o vice-presidente eleito pela igreja deveria indicar uma AGE em 90 dias, de acordo com o Estatuto. Porém, a própria igreja não reconheceu os três diretores empossados anteriormente pelo pastor Salatiel. Com isso, os advogados entraram novamente na justiça para confirmar a posse dos três para administrar a Igreja.

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As Convenções Geral e Estadual, vieram até a cidade de Governador Valadares e indicou um nome para assumir a administração, de forma temporária, da AD à justiça, mas, de acordo com líderes da igreja, a juíza não aceitou nomeando o pastor João Campos Paul para a presidência interina da Assembleia de Deus da cidade.

Ainda em sua decisão, a juíza autorizou aos novos diretores a reintegração de posse de templos, e logo após a decisão, a equipe liderado pelo pastor Paul, foram até uma das igrejas para adentrar à instituição. Samuel afirmou que houve arrombamento do portão da igreja e ainda houve um princípio de confusão, conforme vídeo abaixo:

Olha O Vandalismo QUE Essa Turma Estão Fazendo Com A IGREJA, ARROMBANDO A IGREJA E POCANDO CADEADO. VAMOS DEIXAR ELES…

Gepostet von Caio Charles Gomes Mendes am Freitag, 21. August 2020

Samuel conta que a nova diretoria começou a trocar as chaves das igrejas. Em uma unidade da AD, eles inclusive trocaram o cadeado da casa pastoral (lugar onde reside algum dos membros da entidade). Um dos pastores, Jônatas, pastor da Regional Bairro S. Raimundo, estava de viagem (em licença médica), quando teve que retornar e se deparou com a situação. Para entrar, ele registrou um boletim de ocorrência policial e chamou um chaveiro. Ele conta, ao Gospel Minas, que chegou a ser ameaçado de ter a entrada da sua casa bloqueada novamente, mas os membros da igreja os impediram.

– A minha situação hoje é de preparar minha mudança, e mudar porque eu estou lutando com a apoio da igreja local, contra o poder econômico de um rico, que utiliza de pessoas a seu serviço para nos expor a essa situação vexatória – Disse o pastor – Meu sentimento é de muita tristeza. Não há nenhuma honra ou benefício em expor essa situação em rede social. Estou inclusive ameaçado pela família do empresário pastor, que teriam dito que me processarão e tirarão tudo que tenho. Não tenho bens, pago uma casa financiada. Devem tentar tirar isto. Mas, terão que esperar eu pagar primeiro. Meu sentimento é de medo e constrangimento – Concluiu o pastor Jônatas.

O presbítero Samuel criticou a decisão da justiça que deu aos envolvidos autorização sobre os templos.

– A constituição brasileira é clara, a justiça não pode interferir. O Estado é laico, então, por não ter uma religião definida, não pode interferir nas funcionalidades e decisões de uma religião. Eles [nova diretoria] não estão podendo importar nenhum obreiros, apenas posse dos templos, mas não é o que estão fazendo. Além de fazer a troca das chaves, e ter impedido o acesso à igreja, eles também impediram acesso a casa pastoral e o pastor ficou sem acesso a sua própria residência – Esbravejou Samuel.

Samuel explicou o que pode estar por trás de tudo isso:

– Nós somos uma igreja de quase quinze mil membros em toda a região do Vale do Rio Doce. Fora nas outras regionais aqui na na cidade próxima, e de quinze mil membros eu te falo, eles devem ter 100 pessoas que estão ao lado dessa comissão temporária, e até pelo o respeito que eles tinham pelo pastor Salatiel. Eles estão fazendo uso de uma outra igreja pelo judicial. O interesse deles, vou ser bem enfático; o objetivo é vender essas propriedades que foram construídas pela igreja para poder pegar esse dinheiro para eles. Infelizmente essa é a verdade – Conta.

– Tem pessoas chorando com a situação, que eu nunca imaginei de passar. Eles estão tomando um direito nosso de cultuar e estão querendo fazer uso dessa ordem judicial para poder enriquecer, nas forças da igreja – Disse Samuel.

Um dos membros de outra regional chegou a relatar que até a caixinha de ofertas das crianças foram recolhidas pela equipe do pastor João Campos Paul, em um das igrejas. Samuel afirma que os pastores que estão sendo empossados nas regionais, muitos deles foram expulsos do Ministério anos atrás pelo próprio pastor Salatiel, por más condutas dentro da AD.

O próximo passo de toda a comunidade e dos fiéis, bem como os pastores, são de acordo com Samuel, aguardar os retornos das ações impetradas na justiça e tentar alguma forma requerer uma nova AGE.

– Grande parte desses obreiros que estão tentando tomar o direito dos irmãos de cultuar são ex-obreiros que já foram, inclusive, excluídos do ministério e pelo próprio Pastor Salatiel. Ou por fraude ou por adultério. Tem até acusações terríveis desses homens. Como na época que o Salatiel era presidente, não aceitou a diretoria, eles viram uma oportunidade de voltarem para o poder. São quase quinze mil membros contra umas 100 pessoas que não tem índole – Disse Samuel.

E conclui:

– A nossa liberdade de culto tem que ser mantida pelo lugar em que nós mesmo construímos. Uma hora a justiça vai ter que ver o dano que ela está causando para a nossa igreja. A Igreja enxergou que essa situação totalmente adversa, não tem sentido na justiça. A gente chega até duvidar de certas coisas – Finalizou o Presbítero Samuel Almeida.

Sobre a polêmica na AD

Membros da Assembleia de Deus em Governador Valadares, vinham tentando, sem sucesso, fazer com que o pastor presidente Salatiel Fidélis deixasse o cargo que ocupava. A cada três anos, a igreja elege uma nova diretoria, e em 2016, a nova diretoria constataram uma série de irregularidades, sobretudo nas contas da igreja, sob a gestão do pastor Salatiel.

O presidente, por sua vez, se negou a aceitar a aposentadoria, e decidiu com o apoio da família, travar uma guerra contra a diretoria eleita em 2016. O caso foi parar na justiça e documentos começaram a ser apresentados a fim de embasar as acusações de fraude. Em um documento assinado por líderes da AD, listaram diversos produtos que foram comprados com o dinheiro da igreja. A lista chamou a atenção pela presença de alguns itens que não condizem com princípios cristãos, a exemplo de “Lata de cerveja Skol”.

Ainda de acordo com a ata, além da compra de cervejas, a família do presidente usava o dinheiro para pagar sua própria taxa de condomínio, favorecer parentes e amigos próximos e ainda foram encontradas diversas notas fiscais de compra de produtos que não fazem parte das necessidades básica da igreja.

Apesar das acusações, Salatiel e seus familiares optaram por levar o caso até a justiça a fim de se manter na presidência. E desde então, os pastores da AD da cidade tentam tirar os diretores, empossados por Fidelis, do poder das igrejas.

O que diz o presidente interino da AD

O presidente interino da Assembleia de Deus, pastor João Campos Paul, emitiu uma nota em meados deste mês para se defender. Na nota, Paul diz que sua equipe, inclusive o já falecido Salatiel, foram, e são vítimas de perseguição e injúria difamatória. Procuramos o presidente, e até o fechamento desta matéria, ainda não havia respondido; leia a nota abaixo:

 

A redação aguarda posicionamento do pastor interino, bem como de sua equipe à frente da Assembleia de Deus em Governador Valadares, MG.

 


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